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Diferente, não. Muito diferente.

Não acredito em quem disser que a torcida do Avaí é normal. Não é. Normal é a torcida do Flamengo. A nossa é especial. Também não quero ser um torcedor de torcida. Só não admitirei que se equipare essa massa que veste azul e branco à média. Não se admita que nos rebaixem à tal condição.



















Eu não admitirei e você, com certeza, haverá de enxergar que isso não é comum. A média brasileira, convenhamos, é reclamar do time se ele perde, vaiá-lo se ele joga mal e esvaziar o estádio se o final da competição é claramente decepcionante. Já vimos times serem vaiados estando na liderança há várias rodadas. Há exceções, mas a média é esta.

É inimaginável que a média das torcidas brasileiras seja fazer o que nós estamos fazendo nesta reta final do Brasileirão. Com um time sofrível, uma Diretoria de cegos e surdos, um histórico de dois anos em que fomos alçados ao papel de meros financiadores e locatários de cadeiras. Podem até fazer uma parte disso, mas não tudo ao mesmo tempo e com tal intensidade. 

Lembro que um treino do Corinhians com 300 pessoas foi manchete nacional. Que a torcida do Grêmio foi capaz de colocar 5 mil pessoas em treinos, mas somente antes de GreNais. Que algumas torcidas até lotam aeroportos, como a do Bahia, mas para tietar jogadores famosos de seus times ou exaltar a boa fase e as vitórias. Outras até recebem seus times antes dos jogos, em jogos de final de Libertadores. Na nossa situação, equiparamos exceções das melhores do país. Sim, nós estamos muito acima da média.

Nutro puro respeito por esses avaianos que por tempos insistiram em bater e protestar, abandonando o estádio, cancelando carteirinhas de associação com mais de década. São sinais que qualquer ser inteligente teria notado. São os mesmos avaianos que hoje estamos vendo novamente nas cadeiras da Ressacada cantando como nenhum outro, berrando incentivo e amor. São os seres inteligentes da história, tentando evitar o pior. O que infelizmente falta nos escritórios mais importantes da Ressacada.

Não precisava nem pedir, Capitão.

Desde o final do jogo contra o Atlético-PR, a torcida avaiana já estava a par de mais uma missão para o próximo jogo: recepção aos jogadores.

Hoje o capitão William deu a letra:

Gostaria que já na entrada do ônibus a torcida acendesse os sinalizadores azuis e levantasse as bandeiras porque a gente sente bastante. Espero que o torcedor lote a Ressacada e nos incentive do começo ao fim porque com a ajuda deles temos mais força para sair dessa situação. Vamos precisar muito deles.
É assim, com atitudes que beiram a insanidade aos incrédulos, que nós caminhamos ao lado do time. O futuro do Avaí é muito maior do que o prazo de validade da maioria dos que passam pelos gramados da Ressacada vestindo azul e branco. Mas um nome com certeza ficará na História. William, o guerreiro. 

O distante limiar entre a babaquice e a falta do que falar.

Quando as palavras acabam, amigo, é melhor calar-se. É o caso de quem, na evidência do fracasso do time do coração, busca a culpa em todos os fatores possíveis. Inclusive em vídeos que buscam, unicamente, apoiar a torcida, dar-lhe forças para, sim, após todas as rodadas na zona do rebaixamento, lembrar um pouco o que é o Avaí e o que nos leva ir ao estádio. 

Após uma derrota, afirmar que a exaltação da alma avaiana em forma de vídeo é uma forma de jogar a pressão ao torcedor é o discurso que ultrapassa a falta do que falar e chega à babaquice. Um limiar distante e difícil de ser ultrapassado, haja vista todas as implicações especialmente do último vídeo. Mas tem quem consiga.

Passamos 1 ano e 8 meses pressionando parceiros e Diretoria devido aos erros por todos enxergados, menos por eles. Dois dias antes de um jogo de 6 pontos não deveria ser a hora nem de jogar a pressão sobre os jogadores, que não têm culpa de ser mal treinados e mal "montados", muito menos de criar um clima de guerra entre time e Diretoria. 

Reafirmamos tudo aquilo que foi dito após a divulgação do vídeo. Não há mais tempo para pressionar o time do Avaí. É ruim e pronto. Agora é apoiar. Do sucesso deste time depende a nossa permanência no sonho de 88 anos: ficar na série A. 

Aqueles que insistirem em misturar as coisas quando estiverem sem uma palavra inteligente na cabeça, por favor, pensem bem se não estarão ultrapassando o limiar da babaquice. O limiar de, na evidência de uma torcida ainda esperançosa e com ímpeto de apoiar o seu time, dizê-la que deveria pressionar Diretoria e parceiros - em setembro, durante a segunda metade do campeonato. O limiar de enxergar um vídeo de apoio à torcida como uma forma de pressioná-la. O limiar de jogar a culpa na torcida por um time mal montado, por não ter supostamente pressionado a Diretoria pela formação de um bom time. O limiar da babaquice, ultrapassado pela falta de falar e a vontade de tumultuar.

A inquietação que vem do apoio.

Publicamos ontem o vídeo "Não pergunte o que o Avaí pode fazer por você agora." Foi imensamente bem aceito, mostrando que a nação avaiana, mesmo magoada com seu Clube, ainda e sempre irá apoiar o time. Mas, assim como o Alexandre Aguiar, que foi buscar logo a resposta do que o Avaí pode fazer por nós, ficamos todos ressabiados ao pensar sobre o momento atual, de por agora pensar mais no que podemos fazer pelo Avaí do que esperar alguma contrapartida.

Quem acompanha o blog ou o Twitter do vidAvaí conhece as posições destes blogueiros. Sabe que, se há uma bandeira levantada aqui desde o início de 2010, é contra a política adotada pelo Clube, que deixou de enxergar seu torcedor como parte ativa do crescimento do Avaí. Se há oposição à atual Diretoria, nós estamos nela. É estranho, então, que aqui também se tenha uma forte vertente de apoio ao Avaí? Não.

Primeiro, é preciso entender que jogar bom futebol é, dentre outros fatores como treinamento e disposição tática, uma questão de motivação. Jogar futebol é uma atividade criativa. O que vem das arquibancadas, se não ganha jogo, com certeza perde jogos. 

Jogador de futebol é, sim, uma criatura um tanto mimada: ganha muito e ainda precisa do seu apoio quando não alcança suas metas, coisa que o chefe de poucos toleraria. Mas a cobrança, diferente do que acontece em empresas e no mundo empresarial, não vêm de dentro. Ela vem de fora. Um desempenho sofrível numa temporada simplesmente é uma mancha na carreira de qualquer um, vem dele o que pode trazer o sucesso ou o fracasso futuro.

Pouco importam as fortunas recebidas por jogadores para vestir a camisa do Avaí se estes não sentirem-se à vontade com ela. O resultado dessa cobrança fria, tão ouvida nos últimos tempos, de que jogador é pago para jogar, portanto o grito de apoio não é necessário, é justamente o inverso do pretendido. Como todo profissional criativo, jogador de futebol depende muito de pressão e confiança para atuar com excelência. Esse é o papel da torcida. Apoiar, fazer do seu estádio um caldeirão que encha de confiança os seus jogadores e ensurdeça os adversários. Se a raça e vontade de vencer não vierem, reclame-se. A torcida do Avaí é suficientemente inteligente para diferenciar um time sem vontade de um time ruim.


Dentre os fatores que nos levam à oposição a administração de João Nilson Zunino no Avaí, está a desvalorização do calor humano que a torcida avaiana tem de sobra, principalmente se dentro do seu templo sagrado. O nosso ímpeto inato de avaiano, de apoiar antes, durante e depois dos jogos, foi preterido pelo poder de nossos bolsos.

Uma palavra de apoio ao time, que não tem culpa de ser mal montado, mal treinado e ainda por cima  limitado tecnicamente, não deveria trazer tantas inquietações como estão trazendo agora. Mas o senhor João Nilson Zunino teve o lampejo genial de desvalorizar também nossa inteligência, ao achar que teríamos o mesmo ânimo de ir à Ressacada sabendo que estamos sendo explorados por termos conquistado o que almejamos durante 88 anos de história.

Foram 9 meses simplesmente injuriados em nossas cadeirinhas alugadas da Ressacada assistindo ao show de erros da Diretoria, sendo agentes passivos de erros repetidos desde 2010 à exaustão. Não, não deixamos de ser oposição. Mas não abriremos mão de tentar salvar nosso time mais uma vez do rebaixamento. Questão de honra e inteligência.




Avaianidade e otimismo "incorrigível".

Como torcedor, vivo na berlinda entre o que chamo de crítica e de torcida. Até domingo, por exemplo, achava que seria no próximo jogo um avaiano mais uma vez menos vibrante nas arquibancadas. 

Não sei se porque, não estando habituado antes às decepções inerentes ao fato de conhecer os meandros do futebol mais a fundo, como ultimamente tem acontecido no Avaí, parte da paixão possa ter parecido, durante muito tempo, uma grande ilusão. Mas sempre, sempre, há aquele jogo do Avaí que me faz novamente, e mais fortemente, apaixonado pelo Leão da Ilha, o time da raça imortal. 

Durante um ano quase inteiro, o de 2010, a  sensação de sentir-se parte não-integrante do Avaí foi como água em pedra dura. Até que, claro, quando o Clube precisou, estive novamente no Templo, louvando e adorando o Leão das vitórias incríveis e das viradas heróicas. 

E assim novamente, a água voltou a bater na pedra dura do meu coração avaiano em 2011, com novas decepções. Até aquele grande clássico, claro. O primeiro de Avaí e Figueirense na era moderna do futebol brasileiro. Um clássico que entrou para a história não só pela vitória heróica, na raça, contra um time mais organizado e entrosado na casa do adversário, mas pelo reatamento de uma torcida com o seu time.

Temos novamente a chance de ser uma torcida que possui um time e não o contrário. Os jogadores, unânimes, reconhecem nossa importância. A Diretoria, paliativamente, oferece ingressos a R$40,00, um preço normal. Nenhum absurdo para assistir ao grande jogo de quarta-feira.

Se não é o ideal, nem mesmo nos abre os olhos para um futuro mais harmonioso entre Clube e torcida, é a nossa chance de finalmente neste ano mostrarmos não ao mundo, mas a nós mesmos, que nós não desistimos de exercer nossa avaianidade. Com o silêncio dos que não atrapalham ou com o grito de apoio incondicional até o último apito. Até o último suspiro.

#ReageLeão !


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