Postado por: Marcelo Herondino Cardoso agosto 01, 2010

Era de se imaginar que as discussões futebolísticas em Florianópolis hoje seriam exclusivamente sobre a grande vitória avaiana nessa fria tarde de domingo. Ledo engano. Dividindo a atenção dos comentaristas e martelando a cabeça dos torcedores está a seguinte pergunta: por que menos de 8 mil pessoas estiveram na Ressacada assistindo a bela atuação azurra?

Era opinião quase unânime que o preço dos ingressos era o grande vilão do público em nosso estádio. Como se fosse uma nuvem negra a escurecer o céu do Carianos, o valor alto sempre foi apontado como o motivo que levava os torcedores a se manter longe da Ressacada, mesmo com os muitos atrativos para sair de casa. Assim, a fórmula mágica para atrair público era, de acordo com os "especialistas", baixar o preço dos ingressos. Com isso, como num passe de mágica, nossa "arena" ficaria sempre cheia e o velho "caldeirão" estaria de volta. Simples, não?

Seria simples, se o torcedor fosse de simples entendimento. Mas não é, por óbvio. A direção avaiana baixou o preço dos ingressos para o jogo dessa tarde e o número de almas no estádio foi pouco maior que em outros jogos. O horário era bom, o clima ameno, tínhamos um goleiro de seleção em campo, brigávamos por uma vaga entre os 4 melhores do campeonato... então, onde está o problema? Quem é o culpado?

Minha resposta, da qual não tenho a menor dúvida: a culpa é do ridículo acesso à Ressacada, que faz com que o cidadão saia do estádio às 18 horas e chegue em casa depois da 20. Isso mesmo, são mais de duas horas numa fila irritante e insistente, dentro de um carro ou ônibus. Sem contar o tempo que levou para chegar ao estádio.

Futebol, assim como teatro, televisão e cinema, é recreação e divertimento. Agora, quem vai
ter paciência para passar mais tempo no trânsito do que assistindo ao espetáculo? Falo inclusive por mim, que me associei há apenas uma semana, depois de resistir por vários anos. Nunca foi o preço dos ingressos o problema: como morava no Centro, não tinha a mínima paciência para enfrentar esse monstro a cada jogo. Foi só me mudar para o Carianos e pronto, me associei. Obviamente, nem todos os torcedores avaianos podem se mudar para próximo no estádio, de modo que o ideal seria que os responsáveis pela nossa cidade tivessem um pouco de competência e vergonha na cara para resolver a situação.

Voltando à batida questão dos ingressos: o Avaí tem, segundo as fontes oficiais, mais de 10 mil sócios. Ou seja, nem os sócios estão comparecendo, numa prova inequívoca de que o preço não é o grande vilão, afinal a mensalidade já está paga mesmo. Ingresso avulso só é usado pelos torcedores de ocasião, que vão a um ou  dois jogos no ano. Ou alguém acha que tem torcedor que compra ingresso para todo jogo?

Não quero aqui defender a bandeira dos preços, dizendo que são baixos, apenas não acredito que seja esse o motivo pelo ridículo público nos jogos do Avaí. Em uma comparação grosseira, experimentem ir a qualquer Shopping da cidade e fazer uma refeição (um lanche, vá lá). Se você estiver acompanhado de sua esposa e dois filhos, não gastará menos do que R$ 70,00 por uma refeição de menos de meia-hora. E isso não é chute, aconteceu comigo na semana passada. Meus dois pequenos comeram um horrível Mc Donald's enquanto eu e minha esposa preferimos um prato de massa. E a conta ficou nesse valor que mencionei. E quantas pessoas vocês conhecem que deixam de ir aos Shoppings por causa dessa extorsão? Todos pagam o preço normalmente sem reclamar, mas não levam horas no trajeto casa-shopping-casa.

Então alguém vem me dizer: "ah, mas contra o Corinthians vai encher". É claro, cara pálida. É o Corinthians, que até ontem era líder do campeonato. É o time com a maior torcida do Brasil. É o time que vem com Roberto Carlos e Ronaldo Fenômeno. Daí o mesmo interlocutor me questiona: "mas tu vai na Ressacada pra ver o Avaí ou os outros times?". Isso é hipocrisia, da braba. É óbvio que o torcedor vai lá torcer pro Avaí, mas tem a motivação extra de ganhar de um Corinthians, de um Palmeiras do Felipão, de um Flamengo com 5 títulos nacionais. Pro torcedor, essa figura passional, uma vitória dessas dá muito mais gosto do que uma goleada sobre o pobre Goiás do medonho Rafael Tolói. Não acredita? Vai dizer que não torce com mais gosto e vontade contra os "grandes"?

O mesmo raciocínio vale pra quem argumentar que "mas na Série B dava mais gente". Óbvio, mais uma vez. Era o gosto do novo, era a chance palpável de estar na elite que movia as multidões rumo ao sul da Ilha. E agora isso não existe mais, essa motivação não pode ser enfiada goela abaixo do torcedor comum. Hoje, estamos numa confortável quinta posição, sem maiores sobressaltos e enfrentamos um Goiás mal das pernas. Agora, aposto que se ao final do campeonato estivermos disputando uma vaga na Libertadores ou a tabela mostrar o Avaí no 16º lugar (toc, toc, toc) a Ressacada estará lotada novamente. A chance de terminar entre os melhores ou o medo de ser rebaixado trazem novamente essa motivação que supera até as irritantes filas. Mas agora, na 12ª rodada, de onde buscar essa motivação?

Então meus caros, parem de reclamar da Diretoria Avaiana. Sejam mais inteligentes e dirijam seus protestos para as pessoas que administram nossa cidade. Aproveitem que estamos em ano de eleições e façam valer sua vontade. Que dupliquem a Av. Diomicio Freitas, pelo menos até a Ressacada e então se regozijem com nossa praça de esportes novamente lotada e o caldeirão a pleno vapor. Fora isso, é tempo e discurso perdido. Vão reclamar pro Bispo.

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