Postado por: Marcelo Herondino Cardoso março 21, 2013

Como o principal executivo do blog, meu amigo Rafael Eleutério, só poderá publicar alguma coisa mais tarde, passei rapidamente para deixar minha impressão sobre a estreia do novo técnico avaiano, no empate de ontem à noite contra o Criciúma.

Sou bastante crítico com técnicos de futebol, o que não quer dizer que sempre acerte na avaliação. Tenho sérias restrições com treinadores que trabalham só na base do grito e do "vamo, vamo" (Sérgio Ramirez, Toninho Cecílio e Benazzi são exemplos clássicos), bem como com aqueles sonolentos, para quem parece que tudo está bem mesmo que o mundo desabe sobre suas cabeças (Sérgio Soares, só pra ficar no mais recente).

Também não me agradam os que mostram, nas entrevistas, pouco conhecimento do esporte. São aqueles  que não cansam de repetir que "o time está evoluindo" e "vamos continuar trabalhando" quando todos à sua volta vêem que a evolução está sendo pro lado contrário.

Por outro lado, aprecio treinadores que sabem ser ponderados, mostram conhecer esquemas táticos e opções de mudança de jogo, mas também dão uns poucos gritos quando necessário. E que não se contentam com pouco nem se conformam com empates medíocres. Aceitam o resultado porque faz parte do jogo, mas não se mostram satisfeitos com ele. Mais que isso, têm coragem para fazer mudanças pouco óbvias e não jogam pra torcida. Silas se encaixa nessa categoria, sob minha ótica. E Ricardinho também.

Não estou dizendo aqui que Ricardinho terá o mesmo sucesso de Silas no comando avaiano, nem seria leviano a esse ponto. No futebol, os resultados dependem de uma série de fatores que não passam exclusivamente pela competência dos profissionais, embora essa seja essencial para consegui-lo. De qualquer forma, o novo comandante mostra características que me permitem acreditar em dias melhores para o torcedor do Leão.

Na entrevista coletiva pós-jogo contra o Criciúma, Ricardinho não se omitiu. Reconheceu falhas no seu time,  identificou características de jogadores que não combinavam com o estado do "relvado" e fez as mudanças corretas. Não venceu porque o futebol não é uma ciência exata, mas esteve muito próximo da vitória. Deu ao time as condições para buscá-la, ainda que não tenha obtido êxito. Poderia simples e convenientemente ter creditado o empate à atuação da arbitragem, já que tinha todos os ingredientes para tal. Mas não o fez. Reconheceu o erro do mediador da partida, mas também a incompetência do seu time para o triunfo. Poderia ter ficado nas arquibancadas assistindo à peleja, já que chegou em Florianópolis na véspera. Mas preferiu treinar o time sob chuva e ir pra beirada do campo comandá-lo, como se espera de um profissional que não se omite.

Particularmente, eu já tinha apreciado o trabalho de Ricardinho à frente do Paraná Clube em 2012, em sua primeira experiência como treinador. Conseguiu fazer um time quase medíocre ter apresentações interessantes. Sobre o Ceará, não posso opinar pois não acompanhei o trabalho, embora os resultados não tenham sido bons.

Não dá pra garantir que ele levará o Avaí às finais do Catarinense. Nem que será o treinador na Série B. Mas torço sinceramente para que tenha vida longa à frente do mais vezes campeão. Competência pra isso ele tem, basta deixarem o homem trabalhar - e, claro, oferecerem "mão-de-obra" qualificada para tal.

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