Postado por: Marcelo Herondino Cardoso setembro 20, 2011


Segundo os especialistas em aeronáutica, um acidente aéreo nunca acontece por um único motivo. Uma falha mecânica, um erro humano ou uma condição climática desfavorável, sozinhos, dificilmente provocarão a queda de uma aeronave. Não fosse assim, dizem eles, teríamos acidentes terríveis todos os dias. Felizmente, não é o que acontece. O problema está no conjunto, isto é, quando vários incidentes desses ocorrem ao mesmo tempo. Nesse caso, pouco se pode fazer para evitar a tragédia.

Mas esse é um blog sobre futebol e, mais especificamente sobre o Avaí. Então, onde quero chegar com essa conversa? Quero comparar – mal comparando – o rebaixamento de um time (notem que não me refiro ao rebaixamento do CLUBE) com um acidente aéreo. A diferença é que, no futebol, já se sabe de antemão quantos serão os “acidentados” do ano. Na Série A, para trazer à nossa realidade, nada menos que 20% dos participantes serão rebaixados a cada final de temporada. Sempre. E o mundo não acaba por causa disso.

Costumo dizer – e já escrevi sobre isso – que um rebaixamento não acontece por acaso. Há uma espécie de “cartilha” que parece ser seguida à risca por aqueles que ocupam as posições mais rasteiras da tabela de classificação. Essa “cartilha” seria, então, o conjunto de incidentes que provoca o grande “acidente” final – o rebaixamento. Contratações – e dispensas - equivocadas e às pencas, jogadores descendo do avião num dia e entrando no time titular no outro, comissões técnicas sendo trocadas a toda hora, declarações intempestivas, pré-temporada inexistente ou mal-feita, afastamento do torcedor, brigas com a imprensa, rachas no grupo de atletas... claro, existem outros que pesam no conjunto, mas penso ter citado os principais. Cabe a você, torcedor inteligente que é, verificar se o seu time está seguindo essa cartilha. Se estiver, como é o caso do Avaí, o rebaixamento é o inevitável fim da linha.

Pra concluir o raciocínio, mesmo porque o artigo já está ficando muito longo para os padrões do blog, quero afirmar que é besteira, pura e simples, achar um motivo único para a situação vivida pelo time. Zunino errou? Sim, muito. Mas repetiu ações que deram certo em outros tempos, não repetiu? Miguel Livramento tumultua o ambiente? Sim, muito. Mas o faz desde que o ser humano anda pra frente e nem isso evitou momentos de glória nos últimos anos. Então, meus amigos, vamos fugir do lugar-comum de achar um bode expiatório, combinado? Vamos juntar os cacos, analisar TODOS os incidentes e corrigi-los. Sem essa falácia de achar um único culpado e demonizá-lo à exaustão. O Avaí é muito maior que tudo isso.

Vamos, queridos blogueiros avaianos, focar no clube e não em acusar outros blogueiros. Vamos propor soluções, vamos sugerir mudanças, vamos tornar o Avaí ainda maior.

E um último pedido: só não culpem o torcedor pela situação do time, certo? Parece loucura, mas já surgem vozes dizendo que a posição na tabela é reflexo de uma torcida fria, corneteira e insensível. Cada um que assuma seus erros e procure corrigi-los, mas culpar o torcedor é, mais que burrice, covardia da grossa. E isso não vamos aceitar.

Ah, em tempo: Sei que o Avaí não caiu ainda. Mas, sinceramente, não acredito mais em reação nesse ano. E, por favor, não venham com o velho chavão de que “torcedor tem que acreditar o tempo todo”, “é torcedor de pijama”, “fica em casa no PPV então” e coisas do gênero. Torcedor tem que TORCER e isso eu vou fazer até o último jogo. Torcedor é apaixonado, é cego. Acreditar é uma outra história.

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